Bloguista Anónimo
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setembro 10, 2004


Mais uma dependência


Pelo facto de a minha actividade bloguística ter vindo a crescer de uma forma exponencial, como podem facilmente aferir pela quantidade de novos posts aqui inseridos. Pelo facto do número de visitantes ter atingido proporções gigantescas, o que levou a que durante algum tempo o meu sistema de comentários se tivesse tornado caótico a ponto de não funcionar (embora tenha a ligeira impressão que não tivesse sido o único). Pelo facto de gostar de ter várias opções em aberto, para depois escolher aquela que na altura me parecer melhor (não chegando a extremos como acontece com um amigo meu, que marca tudo e mais alguma coisa para a mesma hora com várias pessoas e ainda tem o desplante de não aparecer). Pelo facto de já não conseguir pegar correctamente numa caneta ou lápis o que origina a que já não escreva as palavras de forma legível, o que me obriga a recorrer frequentemente ao teclado do computador. Pelo facto de, e acima de tudo, me apetecer. Tomei uma decisão (decisão essa que já foi posta em acção). Criei um novo blogue. E, provavelmente, consumista como sou, será apenas o segundo de muitos. Adoro as coisas que não me fazem falta, desde que sejam grátis, claro. Não imaginam a enormidade de endereços de mail que já criei, sem nunca lhes ter dado uso. Ou as toneladas de t-shirts com publicidade a certos produtos que tenho. Ou a mistura de cheiros que emana de mim quando saio de uma perfumaria (facto científico comprovado: quando uma borboleta levanta voo na China ao mesmo tempo que eu saio de uma perfumaria, as pessoas desaparecem à minha volta num espaço de cem metros, no minimo curioso). As promotoras dos hipermercados onde me dirijo já me têm como um bom amigo, e pedem-me frequentemente para lhes dar a minha opinião sobre a qualidade do produto, que acaba por ser sempre a mesma, ou seja, "é grátis, é bom". Não faço ideia de como irei dar uso a este meu novo espaço ou mesmo, se de facto irei de alguma forma dar, no entanto, o entusiasmo inicial é sempre grande. Uma coisa posso garantir. Será muito mais light e muito menos profundo (o que implica ser muito menos sério do que este). Este continuará sempre a ter o meu carinho e, será sempre o primeiro. Afinal de contas, não há dependência como a primeira, pois não?



Publicado por B.A.> em 09:25 PM | A ressacar (9)

agosto 02, 2004


Vamos dar um tempo


Minhas caras e meus caros (não sei se esta expressão vos soa bem, no entanto, tive que ter em conta o movimento feminista que me obrigou a distinguir perfeitamente a quem me dirigia, e para consegui-lo na perfeição acrescento ainda, que, as caras não se referem exclusivamente às minhas caras metade, visto que isso daria em não me referir a ninguém em particular, pois vou tendo cada vez mais consciência de que elas, pelo menos em relação a mim, não existem, embora continue a acreditar que existem várias para cada pessoa... isso quererá dizer que não sou uma pessoa? Bem, na realidade...), passei por momentos muito complicados. Só quem passou por algo semelhante poderá, talvez, compreender o meu desabafo. Há relações que nascem, vivem, sobrevivem e acabam (poderemos efectivamente afirmar que algo acabou?) na dicotomia amor-ódio. Foi o que me aconteceu (ou acontece... sabem, tenho sempre receio de utilizar frases no passado, com medo de elas nunca mais se tornarem novamente presente). Não quero que me considerem machista pelo que vou dizer a seguir (podem, mas não quero). A nossa relação era simplesmente perfeita e simples. Eu chegava a casa, depois de um duro dia de trabalho, dava-lhe uma ordem e ela obedecia. Há algo mais harmonioso que isto? Pensava que não (e continuo a pensar) e, no entanto, ela decidu não partilhar da mesma opinião que eu. Começou por pequenas coisas, que eu ia associando a certas alturas do mês ou então à minha própria disposição que , admito, por vezes (ou será sempre?) se torna insuportável (mas afinal o que significa para o bem e para o mal?). Até que certo dia, tudo se desmoronou como um castelo de cartas (embora nunca tenha visto um castelo destes a desmoronar-se, já que nunca consegui construir nenhum, devido a andar sempre com tremeliques, devido à fase de recuperação das minhas várias dependências, acho que, pelo que me têm dito, é a imagem apropriada), ou seja, ela deixou, simplesmente, de aceder aos meus pedidos, depois tornados ordens e comandos. E foi assim que durante umas semanas desci ao inferno (inferno este sem conotações a Deus e Diabo, se é que tal existe, sem as referidas "entidades"). O meu orgulho não me deixou ceder durante as primeiras semanas, mas cedo percebi que a minha luta estava condenada ao fracasso (assim como todas as lutas desde o meu tempo de infância, das quais mantenho marcas distintivas, de todas elas, pelo meu corpo fora, e dentro também). Percebi o quão dependente estava dela (e a dependência leva ao amor, não é? Ou será o contrário?), e assim tive que dar parte fraca e ceder a algumas coisas. Só isso me permite estar agora a escrever-vos este texto, sob a devida orientação da minha amada PC (alcunha que só eu tenho o direito de utilizar, para todos os outros tratem-na por Paula Catarina), que continua sempre a relembrar-me que não posso abusar da paciência dela. Se foi um virus que lhe deu, ou uma saturação por lhe falar demais (o que na realidade só lhe pode acontecer a ela, porque na realidade sou muito introvertido com todos os outros) não sei, nem quero saber, desde que não se repita novamente. Decidimos, no entanto dar um tempo à nossa relação (o que vem mesmo a calhar, já que vou iniciar um merecido periodo de férias... se em algumas frases podem aparecer palavras dúbias, o merecido foi a da frase anterior), principalmente depois de ela me ter dito que estava farta de eu lhe dizer "enter isto e enter aquilo" e de me ter retribuido com um "enter the keyboard up your bottom", frase que depois de eu a ter compreendido na sua plenitude, me deu uma imagem nada agradável. Melhores dias virão (e, de certeza, sem nada enfiado pelo ass acima).



Publicado por B.A.> em 12:12 AM | A ressacar (3)

junho 05, 2004


Procuro... o meu prazer de leitura


Será isto apenas uma fase que estou a atravessar? Se sim, das duas uma e não a mesma que a outra, ou a travessia é de facto bastante longa ou então estanquei a meio e não consigo sair dele (dizem que no meio está a virtude, mas não cheguemos a extremos). Sem mais nem menos (ou sem divisão nem multiplicação, conforme se sintam à vontade nestas coisas de matemática), não é que o prazer da leitura resolveu abandonar-me? Não bastava um outro prazer me ter abandonado, este não por iniciativa própria, mas por notória impossibilidade minha, tanto a nível monetário (as raparigas sempre quiseram dinheiro para estar comigo), como a nivel manual (aquela notícia que recebi, não era motivo para esfregar, de tanto contentamento, as minhas manitas de tal forma que pegassem fogo por si só), agora os livros também resolveram manter-se à distância em relação à minha pessoa. Eu sei que poderá não ser uma imagem bonita aquela que eles neste momento estão a presenciar, ou seja. eu de mãos engessadas a teclar com o nariz, que por seu turno se encontra totalmente ranhoso (esta maldita alergia não me larga, e ainda não sei exactamente o que a faz despoletar, no entanto já vou diminuindo o leque das possiveis causas, a saber, maldade, hipocrisia, inveja, mentira, entre outras... minhas ou de quem me rodeia? bem... devem ser minhas, pois realmente ando sempre com alergia), o que por evidente consequência afecta o estado do meu teclado. Mas isto não pode justificar tudo, pois não? Eu que, quando pequeno, devorava por completo todos os chamados livros de quadradinhos, dos patinhas à mónica, dos cowboys às guerras, do pelezinho à gina (bem, se já utilizei a expressão devorar, então que dizer dos livros da gina), passando por tintins, patetas, lucky lukes, e muitos outros, por vezes três e quatro vezes seguidas o mesmo livro, e que mais tarde conseguia lêr livros (sem quadradinhos) às vezes aos três de ano em ano (quando não quatro, record pessoal), dou comigo reduzido a lêr (com alguma impaciência) as contra indicações do remédio que me vai ajudar a ultrapassar as minhas dores de... coluna? (dizem que as colunas são o mais importante nas construções, a ser verdade, estou lixado). Não sei se estão a atingir, na sua plenitude, a extrema gravidade da situação. O facto de eu não lêr, permite-me escrever mais frequentemente, ideia que para quem ainda não se encontra a vomitar na casa de banho, de certeza que, lhe provocou um enorme arrepio na espinha. Sendo assim, agradeço do fundo do meu coração e do topo da minha sanidade mental, sugestões para um livro que me possa ajudar a ultrapassar esta fase. Lembro apenas que as minhas preferências se centram em assuntos relacionados com bola, pornografia e a influência do estado da Lua no comportamento das pessoas. Obrigado.



Publicado por B.A.> em 12:33 AM | A ressacar (8)

maio 14, 2004


Qual é mesmo o teu nome?


Não tenho jeito para nomes. Como me refiro à memorização e não à atribuição dos ditos, talvez a palavra jeito não esteja bem empregue. Jeito tenho-o, modéstia aparte, no contributo que possa dar a um recém-nascido, através da dádiva de um elemento identificativo (estou a falar de nomes e não de alguns sinais particulares) que poderá utilizar com orgulho através de toda a sua vida. Este meu dom, no entanto, não é considerado como tal pelas pessoas que me rodeiam já que nunca tiveram em muito grande consideração as minhas sugestões para os miúdos, da familia ou de amigos, com uma faixa etária inferior à minha, ou seja, dos dezassete anos para baixo (mentiroso é aquele que mente e é apanhado). Contento-me portanto em ir identificando bichos que me vão aparecendo pela frente e que não tiveram a sorte de lhes serem atribuidos distintos nomes como os que me foram atribuidos pelos meus ricos pais. Na verdade apenas o quarto, quinto, oitavo, décimo primeiro e décimo sexto dos vinte e três nomes que compõem o meu termo de identidade não me agradam por completo (fazer parte da familia real portuguesa tem destas coisas, e sim, nós existimos). O meu último baptismo, aconteceu hoje a uma anafada (estou cheio de babas e de comichão) melga que encontrei no meu quarto. O nome atribuído, Jaeras. Reparem que para além da melodia inerente ao seu pronunciar existe ainda algo de bíblico que o torna sagrado (a sua origem etimológica deixo para outra altura, pois tem tanto de longa como de interessante). Tenho ou não jeito para isto? Mas, adiante (estes meus apartes estão cada vez mais longos, tenho que os rever... e eu que detesto aquelas pessoas que me fazem percorrer mentalmente todo o mapa da cidade para me dizerem que o que procuro se encontra na próxima esquina). Portanto, a palavra a utilizar seria, provavelmente, memória. Por vezes até sinto vergonha. Não esqueço uma cara, lembro-me de pequenos pormenores que mais ninguém se lembra, mas, por favor, não me venham pedir nomes (claro que também se dá o caso de associar caras e acontecimentos com cerca de dez quilómetros de distância e dezassete meses de diferença, mas isso, é outra história). Vem isto a propósito de algo que se passou recentemente comigo. Estava eu descansado da vida (que a vida nunca poderá descansar de mim), quando me aparece pela frente uma rapariga toda jeitosa e formosa que reconheci imediatamente (assim como não esqueço uma cara, também nunca esqueço um corpo... esbelto) como sendo, a aclamada Rainha da Beleza dos meus tempos do Secundário (pronto, apanharam-me, sou mentiroso, na realidade não tenho dezassete anos), da qual, mais uma vez e infelizmente, não me recordava do seu nome. Isso não me impediu de conversar e de combinar um encontro com ela para a noite desse dia. Mas o nome, esse, continuava por saber. O encontro correu bem, diria óptimamente bem, pois já nos encontrávamos no sofá a trocar beijos e carícias, quando ela me pediu para fazer "coisas" com ela, ou pelo menos assim o percebi. As pessoas têm que aprender a ser mais directas comigo, a leitura das chamadas entrelinhas por vezes escapa-me (embora agora admita que o que ela queria não estava escrito nas entrelinhas, mas sim em letras garrafais e a toda a altura e largura da página), e por isso foi com grande espanto que ela me viu levantar, sair da sala, e retornar com um puzzle de mil peças. Vá lá que ela pensou que eu estava na brincadeira, e achou um piadão áquilo, o que ainda atiçou mais o fogo do desejo (sorte a minha, burro mas sortudo). Acabou por correr tudo bem, à excepção de uma coisa. Ela, durante o acto, nunca se referiu ao meu nome, embora tivesse referenciado outros dez (quatro na primeira hora, dois na segunda, três na terceira, e um outro nome na quarta, quinta e sexta). Confrontada com isto, ela confessou-me, que na realidade não se lembrava do meu nome, e que na altura do encontro só o tinha dito correctamente por eu estar com a placa identificadora do meu local de trabalho. Bolas! E eu com tantos problemas por não saber o nome dela! E isto foi algo que ela também me obrigou a reconhecer. Feitas as apresentações, despedimo-nos com a promessa de voltarmos a nos encontrar. Queria combinar alguma coisa para hoje, mas olho para a agenda e... Qual é mesmo o teu nome?



Publicado por B.A.> em 11:47 PM | A ressacar (12)

maio 06, 2004


Diálogo à Quentinho Atarantado


... Estou pois numa situação complicada. ' Sem dúvida meu amigo, sem dúvida. Mas o que achas que te denunciou? ' O cheiro. Acho que fundamentalmente foi o cheiro que me traíu. ' Ela por sua vez não dirá que foi o cheiro, mas sim que foste tu que a traíste. ' Pois é verdade, mas o cheiro também acabou por a traír, pois se assim não fosse ela provavelmente nunca se teria apercebido. ' Achas? ' Não, não acho. Estou apenas a tentar enganar-me a mim próprio. Não fosse o cheiro teria sido outra coisa qualquer, não fosse hoje teria sido outro dia qualquer. O que sei é que ela não está a reagir nada bem e até tenho medo de entrar em casa. ' Jura! A sério?! ' Acredita que sim. Nunca a viste chateada. Pode tornar-se num pequeno demónio. E foi como demónio que me apareceu esta noite num pesadelo. E o mais engraçado, que não tem graça nenhuma, sabes o que o demónio tinha na boca?! ' Não sei, mas faço uma ideia. Até já me estou a arrepiar ' Exactamente o que estás a pensar. Quando acordei sobressaltado, a primeira coisa que fiz foi ir à casa de banho ver se ele ainda estava inteiro e funcionava correctamente. Que noite! ' O teu problema é que sempre foste demasiado brando com ela. Olha para mim. Em minha casa eu é que mando e não há discussões. Há respeito. Tanto uma como outra têm-me um respeito digno desse nome. ' Há o ter respeito e o ter medo. ' Um pouco das duas nunca fez mal. ' Olha que essa forma de pensar pode trazer-te dissabores. ' O que queres dizer com isso? ' Nada de especial, apenas divagava. ' Bem, no fim de tudo o único culpado és tu. Nunca consegues resistir, pois não malandro?! ' Acho que decididamente não. Mas havias de a vêr. Tinha uns olhos tão dóceis! ' Os olhos, não é? Conhecendo como te conheço, não terão sido só os olhos. ' Tens razão, toda ela era dócil. Já a levava para minha casa quando me lembrei que a outra estaria lá, assim falei com um colega de trabalho que acedeu ao meu pedido e me emprestou as chaves de casa dele. Esta lembrança foi um acto divino. Nem quero pensar na confusão que teria sido as duas se encontrarem. ' Mas ela é assim tão ciumenta? ' Claro que sim. Estás a esquecer-te que eu sou o velho companheiro dela. ' Pois. Mas olha lá, o que é que a tua mulher diz a tudo isso? ' Ora, o que é que ela diz... Diz que com uns biscoitos e muitos miminhos, as coisas se resolvem com a nossa cadela. Agora que não quer ter de maneira nenhuma outra, não quer. Diz que dá muito trabalho. Como se não fosse eu que faço tudo o que diz respeito à minha querida Loopy. ' Nem outra, nem esta. A Loopy vai ficar contigo não vai? ' Vai. ' Já lhe disseste que vais separar-te dela. Que vais trocá-la por outra? ' Não. Mas não gosto dessa expressão trocar. Vou apenas para os braços de quem me faz feliz. Ela já não me faz. ' Podes sempre dar-lhe como presente de despedida a outra cadela. ' Ela pensaria que estaria a gozar com ela. mas o mais preocupante é que o meu colega de trabalho também não a quer. E claro que não vou abandoná-la, porque abandonada já ela estava, não faria nenhum sentido nem eu ficaria bem comigo próprio. ' A tua futura companheira não gosta de cães? ' Correcção. Não é companheira, é o meu amor. E sim, gosta. mas o problema não está nela, está mesmo na Loopy. ' Pois é. Já me esquecia. E quando é que eu vou ter o prazer de conhecer a tua comp... digo, o teu amor? ' Não sei se será boa ideia nos reunirmos num futuro próximo. ' Porquê? ' Não sei. Talvez porque tenha medo que tu ma roubes. ' Só podes estar a brincar! Nunca te faria isso, como sei que tu também nunca o farias a mim. Pois não? ' Não sei. Há coisas que não podemos nem conseguimos evitar. ' Mas há outros que o podem e conseguem evitar por nós. Bom, vou-me embora. A minha patroa espera-me. Até amanhã. ' Tenho a impressão que não nos vamos ver por uns tempos. ' Porquê? ' É apenas um pressentimento. Deixa lá isso. Adeus. ' Diabos me levem se compreendo alguma coisa que estás para aí a dizer. Adeus. ' Olha. Mais uma coisa. Se por acaso tu e a tua mulher se separassem, quem é que ficaria com a vossa cadela? ' Claro que seria ela. ' OK. Fica bem. Estamos pois numa posição complicada...



Publicado por B.A.> em 11:12 PM | A ressacar (9)

abril 30, 2004


Treze minutos na vida de...


Depois de ter chegado à conclusão de que não tinha nada de interessante sobre o qual escrever, resolvo escrever em tempo real. Começo (ou já comecei) e ouço uma música aleatória no meu Shared Folder do Kazaa, "Common People" dos Pulp, e já me encontro em pé a dançar. Mais valia ter ficado em pé, pois deitado no chão a fazer aqueles truques dos break dancers dou comigo com as costas esfoladas (ainda bem que não tentei aquele truque com a cabeça). Volto ao teclado e congratulo-me (apesar de ter estado a dançar o texto já vai longo, algo de estranho se passa!). Olho para o monitor, mas ele não olha para mim. Medricas, está com medo. Sabe bem do que sou capaz quando me confrontam. Da última vez, nem lhe dirigi palavra apenas premi o botão off (para bom entendedor meia palavra basta, ele percebeu que lhe estava a dizer fuck off). Vou à casa de banho (sim, porque em minha casa não há W.C.), a minha bexiga está a dar de si (os dois cachorros quentes não foram suficientes para absorver o líquido das três bejecas que ingeri). Retorno ao teclado mais aliviado (em termos fisiológicos pois continuo preocupado com o rumo que esta ideia da escrita em tempo real está a tomar). No caminho para cá, num breve relance no espelho reparei que o corte de cabelo que eu tão pormenorizadamente transmiti à cabeleireira não se concretizou (nem eu a recrimino por isso, um branco de carapinha só mesmo o grande restaurador é que consegue). Continuo sem ideias e sinto-me cansado (apetecia-me recostar-me na cadeira, mas as minhas costas continuam em carne viva). Fecho os olhos (ouço "Paranoid Android" dos Radiohead, com muita "chuva" pois o raio destas colunas já estão a dar as últimas). Olho para a revista de automóveis usados que tenho sobre a secretária, resisto à tentação de a folhear pela quadragésima vez. Não é nada fácil escolher um substituto para algo ou alguém que nos foi próximo durante algum tempo (embora me digam que a palavra substituto não é a apropriada). Neste caso, o meu carrinho. Tantas histórias para contar (todas sem interesse nenhum, mas não deixam de ser histórias)!!! Vou à janela. Está a chover lá fora e não nas minhas colunas como pensava. "Está uma noite mesmo boa para ficar em casa." penso, como se essa decisão tivesse sido tomada agora e não há algumas horas, como de facto aconteceu. Para sair, só se fosse mesmo para surfar num foguetão (ouço "Surfing on a rocket" dos Air). Sempre há-de ser mais fácil do que numa prancha. E com isto tudo já passaram treze minutos (porque é que não pus o título com duas horas?!!!) e vou ter que parar obrigatóriamente. Treze minutos perdidos para mim, para vocês um pouco menos , mas sem dúvida nenhuma também perdidos. Ouço "Dance me to the end of love" de Leonard Cohen e volto a dançar... até me apetecer.



Publicado por B.A.> em 11:34 PM | A ressacar (3)

abril 17, 2004


O pote de ouro no fim do Arco-Iris


Preparava-me para sair de casa. Era mais um dia de trabalho (e é mesmo trabalho, e não emprego como ouço para aí dizer que também existe) e lá fora chuviscava. "Que chatice." pensei para mim. Este tempo já me começava a complicar com os nervos, pois tanto chovia como fazia sol, o que por si só já seria suficiente, no entanto havia a agravante de chover precisamente quando eu andava de corpinho bem feito (leia-se de t-shirt, ténis e boné), e fazer sol quando me munia pela manhã com gabardine, galochas e chapéu de chuva. Decididamente alguma força me obrigava a incompatibilizar com o Tempo. No entanto e apesar da perspectiva da janela para o exterior e do boletim meteriológico na rádio o desaconselhar, decidi optar pelo primeiro conjunto de vestimenta referida anteriormente. Ou seja, decidi ser um "ganda maluko" como muitas vezes me acontece. O problema é que quando me armo num "ganda maluko", geralmente, as coisas acabam mal. "Vamos ver como vai ser hoje." pensei novamente (embora fosse um pensar dito em voz alta, o que se calhar não o torna num verdadeiro pensar, pois isso pressupunha que estava a pensar e a falar ao mesmo tempo, o que iria contra a opinião de muita gente que afirma que não sou capaz de fazer as duas coisas em simultâneo). Abri a porta da rua e com os olhos fechados estendi o braço lá para fora. Senti duas ou três pingas a aterrarem sobre o meu braço, mais uma vez o meu nome do meio era o lixado. Abri os olhos, e afinal já não era o lixado mas sim o glorioso, pois o sol resplandescia e as gotas que me tinham molhado eram as naturais que ainda escorriam pelo telhado e iam retardando a sua queda (curiosamente como acontece com muitas pessoas). Tinha vencido uma batalha, mas certamente não a guerra e por isso predispus-me a fazer rapidamente o trajecto que me levaria ao trabalho (eu sei que estavam à espera que me descaísse e dissesse emprego) antes que algum temporal se abatesse sobre mim. Caminhava eu a passos largos (noventa a noventa e cinco centímetros por passo), sem me aperceber de, digamos, quatro quintos das coisas que me rodeavam, como acontecia frequentemente, quando houve algo que me despertou a atenção, que fez o chamado click (mas neste caso visual e não auditivo). No céu, completamente definido e com todas as suas cores brilhantes e apelativas, tinha surgido o Arco-Iris. Abrandei para passos curtos (quarenta a quarenta e cinco centímetros por passo) e comecei a apreciá-lo em todo o seu esplendor. Era magnífico, belo, lindo, bué da fixe, cool, maravilhoso... Já não o via assim desde os meus tempos de criança (não o via, mas deve sempre ter existido porque de todas as vezes que as condições o proporcionaram, ele provavelmente esteve lá). E recordei todas as vezes que, naquela idade, tentei chegar ao fim do Arco-Iris para descobrir o tão cobiçado pote de ouro de que tinha ouvido falar. Chamemos-lhe má sorte, mas antes de chegar ao seu fim já ele tinha desaparecido do céu (má sorte ou pura distracção, pois muitas vezes entusiasmava-me com outras coisas e nunca mais me lembrava da minha demanda). E não é que naquele momento, assim sem mais (o menos não é para aqui chamado), decidi prosseguir a demanda que nunca tinha conseguido concretizar! Comecei a caminhar em direcção oposta à que tomo todos os dias, que era precisamente a que me levaria ao pote de ouro. É óbvio que sei perfeitamente que não há pote nenhum, mas poderá haver ouro e isso, é bom. Estava eu embrenhado nos pensamentos (que não eram muito profundos, apenas o que faria com uma grande quantidade de ouro) e passava por um casal de velhotes que seguiam na mesma direcção quando ouço o velhote dirigir-se-me: "Também anda à procura do pote de ouro?". Bandidos dos velhotes, afinal de contas não era o único que tinha tido a ideia e para não dar parte fraca tentei ignorar a pergunta. "Não se preocupe, há que chegue para todos." continuou ele. Para não ser indelicado, tentei ser irónico: "Pote de ouro? O senhor já deveria saber que essas coisas não existem. Já o encontrou alguma vez?", irónico na pergunta e no sorriso. "Todos os dias que o Arco-Iris tem a bondade de nos brindar com a sua aparição, eu e a minha senhora seguimos-o, e em todos esses dias ficamos mais ricos. Mas aviso-o que não o encontrará apenas no fim, poderá encontrá-lo pelo caminho. Por isso, fique atento!", respondeu ele. e foi tão convicto no que disse que apenas baixei a cabeça e prossegui o caminho. Estranho diálogo que tinha acabado de ter. Que quereria ele dizer? Não sabia, mas também não iria arriscar. "Irei tomar atenção a tudo à minha volta a ver se não me escapa algo dourado.", pensei. E agora pensado e feito, minhas amigas e meus amigos, digo-vos, foi o que me poderia ter acontecido de melhor. Pelo caminho alimentei-me de tudo o que há de belo à minha volta, tomei atenção a pormenores que todos os dias me escapam, entrei em comunhão com a Natureza e mais uma vez distraí-me e quando olhei para o céu o Arco-Irís já tinha desaparecido, mas não me importei porque estava feliz e sabia agora que o iria ver mais vezes. Inspirei bem fundo, apanhei os últimos raios de sol na face e tomei de novo o caminho para o emprego(pronto!!! apanharam-me!!! estão contentes?!!!). Encontrei-me novamente com o casal de velhotes que sob o guarda chuva que os protegia da chuva torrencial (claro que a guerra não estava ganha, mas já não me importava) que entretanto tinha começado a cair, estavam sentados no banco do jardim. Cruzei o meu olhar com os deles, piscaram-me os olhos, retribuí, e notei que perceberam que eu tinha finalmente encontrado o pote de ouro no fim (que não fica bem no fim) do Arco-Iris.



Publicado por B.A.> em 01:01 AM | A ressacar (9)

abril 03, 2004


Perguntas Soltas


Porque É Que As Rosas (E Não Estou A Falar Acerca De Flores) Têm Espinhos? O Que É Exactamente O Amor? Será Que O Trovão Alguma Vez Se Abaterá Sobre A Minha Cabeça? Qual É A Côr Da Boa Disposição? Para Atingir A Colina Terei Que Subir Ou Descer? Para Haver Uma Resposta Tem Que Haver Necessáriamente Uma Pergunta? Para os Raios De Sol Me Banharem Terei Que Procurá-los Ou Eles Virão Ter Comigo? Se Eu Estiver A Perder A Minha Sanidade Isso Significará Que Os Outros Estarão A Recuperá-la? Como Posso Olhar Para A Mais Bela De Todas Sem Me Emocionar? A Viagem Começa Ou Acaba Aqui? Já Terei Experimentado A Maior Droga (E Já Agora Qual É Ela)? O Que É Que Vem Primeiro, O Remorso Ou A Culpa? Se Até Um Cabelo Tem Uma Sombra, Isso Quererá Dizer Que Todos Nós Temos Uma Sombra (Em Nós Próprios)? Se Me Enterrar Até Aos Joelhos Terei Conseguido Manter Os Pés Na Terra? A Menina da Janela, Por Ser Da Janela, Não Existe Para Além Dela? Se Me Deixar Aprisionar Isso Faz De Mim Um Ladrão? O Sol Abraça A Lua Quando As Nuvens Os Escondem? Porque é Que A Natureza Teima Em Fascinar-me? Se Eu Partir Para Sul, O Norte Ficará Feliz Ou Triste? O Teu Certo É O Meu Errado? Quando Me Derem A Mão, Ela Estará Quente Ou Fria (E O Meu Coração)? Qual A Sensação De Voar (Pelos Nossos Próprios Meios)? É Verdade Que Os Sonhos Nunca Acabam? Se Já Tiver Estado No Paraíso, Não Poderei Aspirar A Mais? Como Se Explica E Se Compreende A Sensualidade Na Arte? Será Que Às Vezes Poderei Estar Assim Para Sempre? Onde Anda O Meu Anjo (Perdeu-se)? Depois De Tudo E Apesar De Tudo Irei Ter Alguém A Meu Lado Até Ao Fim? Depois De Chegar Ao Fim Onde é Que Começo Novamente?



Publicado por B.A.> em 01:32 AM | A ressacar (7)

março 26, 2004


Quando fôr "grande" quero ser...


Num destes recentes dias estive eu presente numa acção de formação destinada à mui nobre e honrada classe profissional da qual faço parte. Não vou referir específicamente qual é, apenas por mera protecção aos meus colegas de profissão. Não me sentiria bem, comigo mesmo, a pensar que poderia haver algum tipo de colagem ou associação entre o que aqui vêem escrito e aquilo que é a nossa capacidade e qualidade de trabalho na generalidade, ficando estas nítidamente em perca caso o assumisse. Digamos apenas que trabalho com números, que não sou um dos representantes do Governo Civil que se encontram semana a semana a confirmar se por acaso o número zero não aparece por magia no meio dos outros números do totoloto como estão a pensar neste momento, ou que não costumo andar rouco por dia após dia andar a gritar bingos, linhas ou números no bingo cá do sítio, como a seguir pensaram. Na referida formação houve um momento (não quantificável em tempo) em que me "ausentei". Não que a qualidade da oratória fosse má, não que o assunto em análise não tivesse o seu interesse (talvez não tivesse assim tanto), mas por momentos olhei em meu redor e pensei para mim mesmo "Não quero ser nem viver assim.". Logo me pus a imaginar que rumo poderia, neste momento, dar à minha vida (uma simples divagação, por ter a convicção de que o que será, será a seu tempo certo). Logo a primeira ideia se formou à volta de ganhar o totoloto, e portanto me tornar uma pessoa rica (bem sei que o ser rico não significa própriamente ter muito dinheiro, mas vocês perceberam). Ou seja, uma impossibilidade quase certa. Para além de realmente não pertencer ao Governo Civil, como já referi, isso a que chamam de Sorte também nunca se cruzou no meu caminho (ou já e eu nunca reparei), e em última análise, se Deus realmente existe, então deve estar furioso comigo (e estou a ser simpático sem recorrer ao uso de palavrões) e não me iria entregar algo que não merecesse (aos olhos d'Ele) de bandeja, embora também seja verdade que todos os dias Ele deixa escapar injustiças bem maiores. Tive então que me socorrer aos meu sonhos de menino e moço. E recordei aquela guitarra que comprei com os meus primeiros trocos ganhos a laborar nas férias grandes, porque queria ser músico. Aquela guitarra poucas vezes utilizada por mim, porque primeiro quis aperfeiçoar a arte do mosh, porque de arte se trata. E realmente depois de muito tempo e de muito mosh (em amigos, desconhecidos, almofadas, namoradas, chão, cama de hospital) tornei-me o "Rei do Mosh", mas nessa altura já tinha perdido o interesse em aprender a tocar guitarra, e vocalista estava fora de questão (a minha voz nunca passou a fase de indefinição da puberdade). Recordei as horas que passei a tentar aperfeiçoar o meu toque de bola, porque queria ser jogador de futebol (americano? não, essa veio mais tarde). Mas tive azar, nasci com dois pés esquerdos, o que não seria mau de todo se fosse canhoto, mas infelizmente canhoto nasceu o meu irmão (o que também não lhe vale de nada porque tem dois pés direitos). Só o facto de estar a chamar pés a esta continuação das pernas que tenho em mim, é uma prova da elevada auto-estima que tenho. Não imaginam os nomes que já foram proferidos para se referirem a eles, principalmente dos meus companheiros de bola (as crianças, depois tornadas adultos podem ser demasiado cruéis). O ausente tornou-se presente, e assisti ao resto da acção de formação mais animado, porque me lembrei que afinal de contas era um rapazolas, no cômputo geral, feliz. E isso é que realmente importa. E disse-o. Não foi a primeira nem certamente será a última: "Quando fôr "grande" quero ser... feliz!!!".



Publicado por B.A.> em 09:55 PM | A ressacar (7)

março 19, 2004


A Criança Que Há Em Mim


O dia parecia ir correr dentro da normalidade (tenhamos no entanto em conta que a normalidade é subjectiva). Não havia motivos para que tal não acontecesse, visto que o despertar tinha ocorrido da mesma forma que tantas outras vezes, ou seja, um pouco stressante. A aparelhagem programada para começar a debitar som um tudo nada alto para quem ainda precisaria de umas duas horas (cento e dezassete minutos já não seria mau de todo) para realmente acordar com outra disposição (melhor ou pior não interessa, o que interessa é que seria certamente outra) à mesma hora de sempre. A bexiga prestes a rebentar, por na noite anterior ter abusado nos líquidos ingeridos (não, não foi alcool, foi água, e não, não foi água da piscina, pois como o meu treino é bisemanal guardo os pirolitos apenas para a terça feira). E apesar destes dois factores, o desejo de ainda querer continuar deitado (será a preguiça o nome certo?). O que é que são filas intermináveis de trânsito comparados com isto? Sabem lá o que é o stress!!! Cerca de vinte minutos depois do começo desde suplício, e já na casa de banho a aliviar o elo mais fraco do meu corpo (e acreditem que vista a qualidade geral este terá que ser certamente muito, mas muito fraco), ouço as seguintes palavras que até afectaram o fluir normal da urina: "Feliz Dia do Pai!!!". Assustei-me. Olhei à minha volta (tenho que me lembrar de nestas situações, fazer o movimento só com a cabeça, e não com o corpo todo... evita o uso da esfregona logo pela manhã), mas não vi nada. Nem poderia ver. Além de o W.C. ser um local sagrado e solitário que os peregrinos têm que utilizar individualmente, não tenho ainda herdeiros (e mesmo que os tivesse, não se chamariam assim. pois penso que a palavra pressupõe que se tenha algo para herdar) e portanto palavras daquelas não me poderiam ser dirigidas. Cinco minutos depois, os quais passei a matutar (bonita palavra esta) no que tinha acontecido, preparando-me para fazer a barba, ouço novamente: "Feliz Dia do Pai!!!". Era a segunda vez que a ouvia e não era pai, o que em termos estatísticos não é nada mau, por exemplo, o meu pai tem três filhos e só a ouviu três vezes. Aproveito esta passagem para uma dedicatória especial ao meu pai: Pai, só há um, o Ti Fernando e mais nenhum!!! (não é original, mas é com o coração). Prosseguindo, ao ouvir estas palavras, olho no espelho e, imaginem, quem é que lá está reflectida a olhar para mim? A Criança Que Há Em Mim. Vendo o meu olhar estupefacto ela continua: "Falei com os Tios e com a Mamã e cheguei à conclusão que tu é que és realmente o meu Pai." Um aparte, para quem não tem várias personalidades esta última frase será difícil de engolir, no entanto garanto-vos que tem toda a lógica, pois eu tenho várias e inclusivé tenho o chamado "lado feminino"(não tão feminino que me ponha de lingerie de senhora a posar em frente ao espelho). "E digo-te que tens sido um excelente Pai. Obrigado por me continuares a dar rédea solta ao contrário do que muitos outros fazem (quantos e quantos amigos já não perdi!)." Em vez de beliscar-me, e como gosto de ser diferente, dei uma cabeçada na parede. Não, não estava a sonhar. Poderia retorquir e dizer-lhe que achava o contrário, que ela é que devia ser o meu pai, que eu é que me tinha formado a partir dela, mas isso, meus amigos, seria discutir que é que nasceu primeiro, o ovo ou a... bem, está a faltar-me a palavra, digamos apenas a título exemplificativo, que é que nasceu primeiro o ovo... estrelado ou cozido?. Mas não iria por aí. Agradeci-lhe, e depois não me lembro de mais nada até à três horas atrás. Devo ter dado rédea solta à Criança Que Há Em Mim. E agora aproveito estes momentos em que ela descansa tranquilamente, para vos escrever estas linhas (linhas?!!! fogo!!! que texto tão grande!!!). Quando ela acordar não terei descanso novamente, ela é terrível.



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março 12, 2004


Ela estava feliz... eu estou triste


Tinha apanhado o comboio que a levaria ao seu local de trabalho. Estava sentada e olhava pela janela para nada em particular, apenas para o infinito. Recordava. Fazia precisamente nesse dia dois anos e meio que tinha vivido os momentos mais difíceis da sua vida, momentos esses que a partir daí sempre a acompanharam. A recordação era no entanto agora vivida de forma diferente. Agora vivia-a com uma certa espécie de paz de espírito que contrastava claramente com toda a dor e raiva que tinha sentido antes. Tinha acontecido numa viagem que tinha feito com o seu namorado na altura, e actual marido, a Nova Iorque. Um sonho de criança dela acabou por tornar-se num pesadelo no local das agora desaparecidas "Torres Gémeas". A história já se sabe, embora ela continue a achar que nenhum relato se aproximou suficientemente daquilo que realmente se passou. Por ela nunca iriam também sabê-lo, pois desde o primeiro momento tinha havido uma espécie de compromisso tácito entre os dois para que não se falasse no Terror que tinham vivido e presenciado. Bastou um olhar naquela altura, como bastaram olhares em alturas posteriores para se abraçarem e partilharem a dor. Juntos tinham conseguido continuar a viver as suas vidas, a acreditar em Deus, a dar valor à Vida, a apreciar a Beleza do que os rodeava e a acreditar na Bondade das pessoas. Tudo isto tinha estado em perigo de desaparecer, e no entanto, agora era mais forte do que nunca. Sentia-se feliz e não se importaria de partilhar a sua felicidade com aquela mulher de modos simples, certamente modesta e trabalhadora, que se sentava à sua frente, ou com aquele homem barbudo que acabara de entrar com um ar duro e com uma mala (de negócios? talvez... pensou), mas certamente com um bom coração, ou com aquela senhora de ar emproado e sisudo, mas que certamente ama a sua filha, filha essa que se encontra a seu lado, e está a olhar para si com um enorme sorriso. Ela retribui o sorriso, acaricia o ventre dilatado pelos cinco meses de gravidez, que mais parecem sete, e pergunta "E tu meu anjo? Vais sorrir muito, não vais?". Com este pensamento fecha os olhos, e antes de entrar no mundo dos sonhos ainda ouve alguém a falar um dialecto estranho e indecifrável para ela. Depois... depois adormece e sonha... para sempre.



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março 05, 2004


O Riso


Afirmo desde já que não sou um rapaz muito dado a risos. E quando falo em risos, estou a falar principalmente daqueles sonoros que pressupõem uma gargalhada e uma convulsão do corpo. Todos nós sabemos como alguns podem ser verdadeiramente irritantes, no entanto outros existem que nos cativam e apaixonam. Eu gostava de ter um assim e que ecoasse com mais frequência, no entanto tal não acontece, e não vale a pena perguntarem-me porquê, pois eu não saberia dar tal resposta. Não significa isto que não me considere uma pessoa bem-disposta e com sentido de humor, digamos apenas que este é especial. Sou uma pessoa muito mais de sorrisos. Por vezes bastam-me as coisas mais insignificantes para me arrancar um. "Estás a rir-te de quê?!!!" muitas vezes perguntam-me (rir?!!! estou a sorrir, bolas... mas já não tenho paciência para lhes explicar), outras vezes em frente à televisão ou no computador apanham-me a sorrir e perguntam-me com ar de espanto "Achas graça a isso?!!!" ao que eu já aprendi a replicar "Acho. Há gostos para tudo, repara que até para "Os malucos do riso".), não sei se por concordância ou por acharem que os estou a ofender, a conversa geralmente fica por aqui. Hoje por exemplo, o meu irmão andava por aqui e eu mostrei-lhe uma banda desenhada animada num site (algo que irei desenvolver a seguir), ele teve um sorriso... amarelo torrado. Um sorriso... quando eu na noite anterior quase que me rebolei no chão do meu quarto de tanto rir ao ver precisamente a mesmíssima coisa. Ri que nem um perdido (curiosa expressão esta, como se uma pessoa perdida tivesse por hábito rir), ou melhor, ri a bandeiras despregadas (curiosa expressão esta, como se... bem, adiante) se de riso posso catalogar o meu, já que tudo se parece apenas com uns gemidos, misturados com muitas lágrimas e com umas convulsões do corpo à melhor maneira daquela rapariguinha d'"O exorcista". Imaginem-me (eu sei que será difícil fazerem tal, mas tentem...), a meio de um sketch da banda desenhada animada a começar a rir incontrolavelmente, com os olhos alagados em lágrimas, tentar fazer a muito custo o replay da coisa, conseguir, mas acabar por não ver nada na mesma pois passei o tempo do sketch no meio do quarto a fazer figuras parvas (leia-se às gargalhadas, sim porque as minhas gargalhadas não se parecem com nada), para mim, ou a fazer a coreografia de uma música brasileira, a outros olhos (maozitas na barriga tum tum tum corpito pra frentinha tum tum tum maozitas na cabecinha tum tum tum corpito pra tras tum tum tum maozitas nos olhitos tum tum tum e limpa a lagriminha tum tum tum e mais uma vez...). Que figura triste, meu Deus!!! (Deus?!!! é apenas uma expressão pois não acredito n'Ele). Concluindo, só à quarta vez é que vi o sketch completo. Delirante. Mr. Boomba, obrigado pelos momentos de prazer que me proporcionaste (soou um bocado abichanado). Deixo à vossa consideração esta obra-prima. O link é apenas para o episódio três, quem quiser vêr os restantes troque apenas o número três por qualquer número que se situe entre o um e o oito (e importantíssimo... não se esqueçam de pôr o som ao rubro).
Meninas e meninos, convosco e virtualmente...................... MR. BOOMBA!!!!!!!!!!!



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março 01, 2004


Cabelos brancos


Assim que começam a nascer, não mais param de reinvindicar um lugar ao sol (ou à sombra se por acaso tivermos posto o boné), não havendo forma alguma de o impedir. Acreditem em mim, eu sei. Ao principio ainda tentei arrancá-los à medida que fossem aparecendo, no entanto ao fazê-lo a um deles, logo no seu lugar apareciam pelo menos sete novos cabelos brancos (não sendo no entanto um número exacto nem fiável, é apenas um número, já que acredito que ao fazer mal a alguém, esse mal volta a nós multiplicado precisamente por sete, não tendo no entanto eu dados cientificos para corroborar esta minha teoria se de teoria se trata) em todo o seu esplendor. É portanto uma força da Natureza irreversível, contra a qual não podemos lutar, ou melhor podemos mas sabendo de antemão que será uma guerra perdida. Está certo que sempre poderia pintar ou rapar o cabelo. Mas vejo-me a mim próprio como uma pessoa equilibrada (esta frase está a soar-me mal) que não gosta de extremar muito as posições. Aprendi a viver no entanto a minha vida e o meu dia-a-dia com estes meus amigos, sim porque passado alguns anos já os tenho como bons amigos, dos bons e dos maus momentos. Momentos bons cheguei a ser iludido que seriam muito mais, porque me disseram que o cabelo grisalho levaria muitas mulheres aos meus braços. Puro engano. Esse tal de Richard Gere deve ter algo mais do que apenas o cabelo grisalho. Não compreendo bem o que ele tem a mais do que eu, mas enfim! Mas vou valorizando os meus cabelos brancos, tanto mais que um dos meus lemas preferidos é e será sempre "Antes cabelos brancos do que queda de cabelo" (sempre como quem diz... até me começar realmente a cair o cabelo, altura na qual criarei um outro lema qualquer). Adiante, o que eu queria mesmo relatar como novidade, porque a anterior já não o é para mim há vários anos, é o facto de também agora a minha barba reclamar um lugar de destaque no manto branco que aos poucos me vai cobrindo o corpo (pelos púbicos incluídos). Não é que os bandidos me apanharam de surpresa. Eu que que de vez em quando gosto de deixar a barba por fazer (ou desfazer, polémicas aparte), dou comigo a mirar-me no espelho e a notar uma espécie de pontinhos dourados na minha face. A princípio ainda pensei que fossem resquícios da noite carnavalesca que tinha acontecido algumas noites atrás (toda a gente sabe que aqueles brilhantes são muito difíceis de tirar ou sou apenas eu que me lavo mal? Pronto admito que talvez...). Mas não, como um exército de bravos que não conhece fronteiras, resolveram conquistar um dos últimos redutos onde os pretos reinavam. E eu a assistir às batalhas.



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fevereiro 28, 2004


Apenas uma estória


Era o último sítio onde Ela pensava querer estar naquele momento. Dentro daquele quarto com Ele. Ele, aquele que já lhe tinha feito tanto mal. Ele, aquele que Ela um dia tinha dito à sua melhor amiga que seria o seu eterno amor. Ele, aquele a quem Ela já lhe tinha dado tantas segundas oportunidades (contando que já seriam pelo menos umas cinco ou seis, tendo portando de segundas apenas o nome). Mas lá estava Ela, diante d'Ele, dentro daquele quarto. A porta estava aberta.
 -"Não há nada que eu possa dizer para tentar fazer com que te sintas bem e não há nada que possas fazer que pare com que eu me sinta da forma como me sinto. E se por acaso acontecer que eu nunca mais te veja novamente, lembra-te apenas que eu te amarei para sempre." (Badly Drawn Boy) - disse Ele.
Ela recuou um passo em direcção à porta e olhou-a. A porta estava aberta.
-"E eu não acredito na existência de anjos, mas olhando para ti pergunto-me se estarei correcto. No entanto, se acreditasse, convocá-los-ia e pedir-lhes-ia para que tomassem conta de ti." (Nick Cave) - disse Ele.
Desta vez ela não recuou. Apenas olhou para a porta. A porta continuava aberta.
-"Continuas a amar-me? Continuas a sentir o mesmo? Terei a oportunidade de partilhar aquela velha dança com alguém que tenho afastado de mim?" (dEUS) - perguntou Ele.
Ela verteu uma lágrima. Sorriu. Desta vez não olhou para a porta. Caminhou em direcção a Ele, abraçou-o, beijou-o e enlaçada n'Ele começou a dançar. Não chegou a reparar. A porta já se tinha fechado por completo.
Faz algum sentido para vocês? Para mim não faz, como poucas coisas o vão fazendo. Mas... é apenas uma estória.



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fevereiro 14, 2004


Para Alguém... Algures...


"Que nome te dar? Tu és única. Tu és todas. Ou talvez nenhuma. Eu sou tu. Tu és eu. A outra metade de mim. A parte de ti que em mim ficou. A parte de mim que foi contigo. Ninguém me foi tão próximo. Ninguém me escapou tanto. Como foi que constantemente nos encontrámos e nos perdemos?" in "A Terceira Rosa" de Manuel Alegre



Publicado por B.A.> em 02:00 AM | A ressacar (6)

fevereiro 13, 2004


Castigo merecido


Aconteceu em Janeiro do ano passado numa noite de maluqueira. Agora passado um ano tudo me veio novamente à memória. Há uns dias recebi uma notificação do Ministério da Administração Interna. Com as mãos a tremer abri, como pude, o envelope e enquanto lia o seu conteúdo as lágrimas iam escorrendo pela minha face abaixo. Estava confirmado... Iria estar inibido de conduzir durante um mês inteiro. Pois é, depois de em Julho passado ter pago uma bonita multa de 240 euros, agora quando já me tinha esquecido completamente do assunto (esquecer como quem diz, acho que aprendi a lição), a justiça volta a perseguir-me. 0,53 g/l alcool foram o suficiente para me porem a caminhar durante um mesinho. Eu até sei que caminhar faz bem, que eu gosto de caminhar e que de qualquer modo o meu carro vai dar o berro em menos de um mês, mas deixar de conduzir e reaprender a levar uma vida de caminhante, não sei se o conseguirei fazer. Ou melhor, sei, ou tivesse eu outro remédio, mas de certeza que me irá parecer uma eternidade. Sei que vos poderá parecer uma barbaridade o que vou dizer, própria daqueles inconscientes que andam a ameaçar vidas nas nossas estradas, no entanto vou dizê-la na mesma. Não me parece que este limite de alcoolemia seja o justo e tenho consciência de que estava muito capaz de uma condução normal. "Todos os bêbados dizem isso!!!" poderão dizer e aceito essa opinião, no entanto aquela também é a minha. No entanto, também reconheço que mereci esta "pena" agora imposta e por isso vou cumpri-la exemplarmente. No entanto, sabendo que tenho toda a liberdade para beber e que não preciso de levar o carro para todo o lado... Como e em que estado é que chegarei a casa vindo da borga? Deveras preocupante...



Publicado por B.A.> em 11:05 PM | A ressacar (10)

fevereiro 10, 2004


Esclarecimento


97-5339.jpg
Venho desde já, e de uma forma veemente, desmentir boatos de que o homem nesta fotografia corresponderia à minha pessoa. Desminto categóricamente esse facto. Concedo que o facto de utilizarmos as mesmas iniciais possa ter dado azo a essa tremenda confusão, mas aproveito este post para que passem a não haver dúvidas algumas quanto ao facto de as nossas duas identidades serem distintas. O homem na fotografia, de seu nome Mr. T. (Mr. da parte da mãe?), participou numa série televisiva intitulada "The A-Team" ("Soldados da Fortuna" é a tradução à letra para Português), da qual eu era espectador assíduo, na qual o seu personagem se chamava B.A.(Barracuda). Pelo contrário, eu apenas uso o B.A. como iniciais de Bloguista Anónimo. Sei que pode ter-vos escapado este facto por ser tão banal e tão pouco original, mas a originalidade meus amigos é algo que por vezes me foge e demora que tempos a retornar a casa, e na altura acabou por me parecer uma boa opção. No entanto se hoje soubesse que me iriam ter confundido, teria escolhido, por exemplo, T.S. que não me traria, de certeza, problemas de maior. Para além do nome, não vejo o que mais possamos ter de comum como vejo de forma inquestionável pela fotografia. Fica assim esclarecido este ponto.



Publicado por B.A.> em 10:00 PM | A ressacar (0)

fevereiro 08, 2004


Ressaca


A ressaca é algo de muito lixado. E mais não escrevo porque o ruido que faço a teclar está a incomodar-me. Dissertarei sobre o assunto numa próxima oportunidade. Mas que é lixado é, sem dúvida alguma.

Publicado por B.A.> em 01:46 PM | A ressacar (7)

fevereiro 07, 2004


Prémio Nobel da Paz?


A notícia já tem uns dias. No entanto, só agora é que tenho estômago para falar nela, para além de só agora ter a transcrição da justificação dada para a nomeação de Bush e Blair para o Prémio Nobel da Paz. Reparem nesta preciosidade:

"Bush and Blair are thus known to be on the list, having been proposed by Jan Simonsen, a member of the Norwegian parliament.
Formerly of the far-right Progressive Party but now an independent, Simonsen said that the duo ought to be honoured "for having dared to take the necessary decision to launch a war on Iraq without having the support of the UN.""

Uma verdadeira pérola, não acham? Já me custaria a compreender, mesmo se se dissesse que o eram por terem salvo o povo das atrocidades de um terrível ditador. Mas, agora justificá-lo com aquela frase magnifica que inclui a palavra guerra, a ideia de desafio e de serem uns heróis por lutarem contra tudo e contra todos, sinceramente!!! Terei que continuar a contentar-me a rir para não chorar, afinal de contas, já pouca coisa me vai indignando e chocando.



Publicado por B.A.> em 01:46 AM | A ressacar (5)

Um pequeno-grande esforço a pensar na praia


Estes dias que se passaram de um esplendoroso sol e de uma temperatura bastante agradável, fizeram-me reflectir. E depois da reflexão veio a preocupação. E a reflexão e a preocupação tiveram como ponto principal, nada mais nada menos, que o tamanho da minha barrigota. Alguns de vocês podem dizer "Olha que grande coisa que este gajo foi reflectir!!!", mas acreditem-me quando digo que não o consigo fazer em relação a assuntos muito mais "sérios", sendo que para mim este não deixa de ser um assunto extremamente premente, afinal de contas não sou nenhum "pensador" e a minha barrigota continua sem dúvida acima dos limites considerados como razoáveis. Adiante, estava eu a dizer que o tempo me fez pensar na praia e que portanto está na altura de começar a imaginar a imagem que quero dar de mim, na praia, às miudas. Diz-se que "gajo bronzeado é meio caminho andado", pois, mas falta o outro meio caminho, e penso que se resume simplesmente a ter ou não a barrigota saliente. Comecei então por uma pequena dieta, que rapidamente pus de parte. Era à base de uma sopa, cheia de legumes, e que tudo misturado dava uma mistela intragável. Decidi que talvez a dieta não fosse a melhor opção. Deixar de beber as minhas bejecas também estava fora de questão. Tive então a brilhante ideia que só o exercício físico me poderia ajudar nesta díficil tarefa. E, de facto, não estou arrependido com a decisão. Já vou no terceiro dia de intenso preparo, sinto-me muito melhor, e amanhã em vez das habituais duas séries de dez abdominais repartidas pela manhã e pela noite, já me sinto com força para passar a fazer três séries de dez e duas de cinco tripartidas pela manhã, tarde e noite. E quando derem por mim já nem me reconhecem. Por fim, deixem-me mostrar a minha indignação a esse gajo chamado Tempo. Não é que o bandido anda a gozar com o pessoal!!! Então será que o bom tempo é só para durante a semana?!!! Ao fim-de-semana n'a pas de soleill?!!! Malandro!!!



Publicado por B.A.> em 12:29 AM | A ressacar (3)

fevereiro 06, 2004


O escultor e o jovem


"Era uma vez um escultor que estava a trabalhar num enorme bloco de granito. Todos os dias esculpia e talhava a pedra informe, e certo dia recebeu a visita de um jovem. - O que é que procuras? - perguntou o jovem. - Espera - disse o escultor. Passados alguns dias, o rapaz voltou e nessa altura, o escultor tinha esculpido um belo cavalo a bartir do bloco de granito. O rapaz fixou emudecido o cavalo. Em seguida, voltou-se para o escultor e perguntou: - Como é que sabias que isso estava ali?" in "O Mundo de Sofia" de Jostein Gaarder.

Publicado por B.A.> em 10:16 PM | A ressacar (6)

janeiro 31, 2004


O aniversário do meu brother


O meu brother acabou de celebrar mais um aniversário!!! Eu digo-lhe que está a ficar cota, ao que ele me responde "hás-de lá chegar um dia.". Não é verdade, nunca hei-de lá chegar, tu serás sempre o meu irmão mais velho. Obrigado por tudo e um grande abraço, tu mereces. E... mais palavras serão desnecessárias.



Publicado por B.A.> em 02:48 AM | A ressacar (1)

dezembro 11, 2003


Tabaco: O fim ou apenas mais uma triste tentativa ?


Não fumo há cerca de 54.932 minutos, e só não refiro os segundos, porque poderia dar-vos a ideia de que este assunto é algo que me anda a obcecar, o que não corresponde de todo há realidade. Posso garantir-vos que pelo menos num terço deste tempo consegui abstrair-me por completo deste facto (ou um pouco menos, pois houve dias em que o meu sono era assolado por pesadelos tabagistas). Pois é, deixei de fumar... até vêr. Foi uma decisão consciente e devidamente planeada e não aqueles súbitos "vaips" que por vezes nos perspassam a carola e que estão destinados ao fracasso (dos quais tenho alguns exemplos pessoais). Uma redução primeiro, durante cerca de mês e meio, e depois sim o largar dedinitivo(amente prematuro?). Posso referir que o tempo que dará acesso ao topo da minha Hall of Fame situa-se nos dois meses e meio. Não considero que fumasse demasiado, apenas cerca de 4, 5 maços por semana, dependendo inquestionávelmente também da actividade nocturna semanal (sabem perfeitamente que é directamente proporcional tanto ao tabaco como ao alcool, não sabem?). E não julguem que as grandes parangonas dos novos maços tiveram algo a ver com a minha decisão, porque não tiveram, embora tivesse ficado surpreendido e chocado com os seus dizeres, mas não tão surpreendido e chocado do que com o facto de me alertarem de que esses dizeres já existiam nos maços. Como foi possível andar este tempo todo com falta de visão?!!! Agora com estes óculos é que vejo que realmente vejo (estou-me a repetir não estou?) muito melhor do que via. A minha bela namorada, no passado, e horrivel ex-namorada, no presente, que o diga. Sinto-me com força para continuar, e nem precisei de continuar a recorrer às pulseiras que a minha irmã me emprestou, e que segundo opinião geral me dava um ar efemininado (nunca compreendi como é que estas pulseiras poderiam mudar algo, vejo tanta gente com pulseiras e que fuma, enfim!!!). O meu grande objectivo é realmente deixar de fumar regularmente (pelo menos tabaco), mas ter suficiente controlo para em algumas ocasiões especiais poder fumar um cadito sem voltar novamente ( depois de uma boa refeição sabe tão bem!!!), mas se não o alcançar pelo menos que não me incomode andar com um maço no bolso para poder oferecer às miudas que tentam sempre meter conversa comigo pedindo-me um cigarro. Vamos lá ver. Agora um cigarrito e caminha... Upppssss!!!



Publicado por B.A.> em 12:14 AM | A ressacar (1)

dezembro 08, 2003


A Feira: pequenas curiosidades


Fui à feira. Já lá não ia há bastante tempo. Confesso que não sou um grande apreciador há semelhança com o que acontece com hipermercados, centros comerciais e ruas a polvilhar de comércio. Podem facilmente aferir que a época natalícia é para mim, neste aspecto , digamos, enervante, mas apenas neste aspecto, porque gosto do espírito, gosto de oferecer presentes, mas gostava de sobretudo, pensar neles e de eles aparecerem-me debaixo da árvore de natal. Pai Natal, onde andas tu? No entanto, as feiras para mim quando visitadas em dias a que o meu estado de espirito esteja predisposto a isso podem ser das coisas mais engraçadas e curiosas para se conhecer. E desta vez, felizmente, não saí de lá prestes a explodir, e tive oportunidade de reparar em certos pormenores, uns conhecidos e outros não (ou talvez sim para toda a gente menos para mim). Vou fazer referência apenas a alguns pontos, sobretudo os positivos: - O brilho nos olhos de algumas pessoas. Para elas tudo aquilo é uma festa. - Pagamentos por multibanco. Espantoso e cómico, cómico principalmente para as pessoas que tenham tido o prazer de vêr a minha cara de incredulidade. - Realmente existe um pouco de tudo há semelhança dos melhores centros comerciais. - O cheiro a farturas no ar. Sabemos que aquele óleo faz mal, mas sabe tão bem. (Nota: este cheiro não é comum a toda a feira. Não experimentem a parte dedicada aos animais.) - Aquelas músicas que de repente nos entram nos ouvidos e nos apanham desprevenidos, que nos fazem querer agarrar numa dama e dançar e dançar nem que seja por 20 segundos, sim, que mais que isso já seria abusar da minha sensibilidade, ou falta dela, em relação à música pimba. - Não era para referir os gritos que nos incentivam à compra de produtos, mas, algumas frases são deliciosas, e uma curiosidade, havia uma vendedora que já deve estar farta de tanto gritar no seu dia-a-dia, então pegou numa cassete e num radio gravador, e gritou, gritou, gritou, gravou durante 60 ou 90 minutos. Agora é vê-la todos os dias impávida e serena, vendo o seu leitor de cassetes a competir com as suas concorrentes. O máximo. Por agora fico-me por aqui. Já deu para vêr o panorama geral. Desta vez deu para divertir. Agora as compras de Natal!!! Foooogo!!!!

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dezembro 07, 2003


Lamentos de um jovem na fase decadente


Como diria o outro... "Estou que nem posso." ou como diria eu... "Estou todo lixado." ou como diria o JCB, vulgo Tatiana Rosmanova... " Estou todo fod... Ohhh!!! Ainda bem!!!". Não sei como começou, mas sei que já vai numa fase muita adiantada o facto de uma simples jogatana de futebol praticada da parte da manhã praticamente inutilizar-me para o resto do dia e da noite. Mas por que carga de água é que um jovem (e não me venham com definições do que é um jovem, porque cada um tem o direito de se considerar como tal) como eu já não posso com uma gata pelo rabo? Eu que nos meus melhores momentos de um tempo já passado mas não tão longinquo como isso, chegava a jogar futebol, jogar a apanhada, brincar aos policias e ladroes, jogar futebol humano, jogar ao cinto, praticar atletismo, entre muitas outras coisas, e ainda por fim algo que era o que me exigia mais tanto fisica como psicologicamente, a saber, o bate-pé, durante o dia todo com curtos intervalos para as refeições. Outros tempos, sem duvida. Mas pelo menos posso sempre afirmar que dou tudo de mim nos jogos, muito ou pouco não interessa, é o que tenho, e quem dá tudo o que tem de manhã a mais não é obrigado durante o resto do dia. Bom, mas já me estou a atrasar... quem não pode dançar durante 8 horas seguidas dança só 4, que se lixe, e assim sempre poderei arranjar tempo para fazer outras coisas novas nas outras 4 horas...



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dezembro 05, 2003


Os dilemas iniciais do blogue


Bom... Não sei se os bloguistas (será que é este o nome comummente aceite por todos?) principiantes, têm tido a mesmíssima experiência que eu. Ou seja, estamos tão entusiasmados com o facto de irmos entrar numa experiência completamente nova que nos esquecemos das coisas mais básicas e essenciais, como por exemplo a pergunta fulminante que me ocorreu à dez minutos atrás quando acabei de criar o blogue "Vou escrever sobre quê?". Pois é... um problema. Cinco minutos depois, durante os quais me empenhei profundamente para achar uma resposta que não teve a decência de se apresentar na forma a que aspirava, apenas me veio à lembrança falar sobre outro dilema que me tinha ocorrido durante o projecto de concepção, o nome para este blog. E, agora, vistas bem as coisas, bem poderia tê-lo chamado de "Blogue dos dilemas" ou "Blogus dilemus", ou algo parecido. Mas não, intitulei-o de "Bloguista anónimo" caso ainda não tenham reparado. E porquê?, perguntam-me vocês. Não faço a minima ideia, respondo eu. Ou melhor, até faço, mas vai tornar-se talvez um pouco complicado explicar-vos, não sei. É que eu também não tenho muito jeito para explicações, o meu sobrinho que o diga acerca das de matemática. Mas vamos lá tentar explicar o raciocinio. Caso vos comece a doer a carola, façam favor de utilizar uma aspirina (ou algo mais forte e ilícito, quem sabe), pois numa relação tem que haver um esforço dos dois lados, e com a palavra relação não vos estou a convidar para dormirem comigo, atenção, atenção. Têm-me dito que isto dos blogues é deveras viciante, e eu como um rapazolas prevenido e precavido que sou e que portanto gosta exactamente de saber que rumo levar e de que forma levá-lo, declaro desde já solenemente que sei perfeitamente que me irei tornar num blogodependente, que assumo isso conscientemente e com toda a frontalidade, mas da mesma forma irei com toda a naturalidade saber quando parar, embora todos tenhamos consciência que a diferença entre o saber, o querer e o parar de facto é enorme. Mas irei lutar por isso na altura certa, recorrendo caso seja necessário, a certas reuniões que existem (ou não?) de ex-blogodependentes, as chamadas reuniões dos bloguistas anónimos. Eu sei que é complicado... mas... eu sou assim. Posto isto, vou-me deitar, na esperança que durante a noite não acorde com suores frios, a ressacar e a sentir necessidade de vir para aqui escrever. Até sempre.

Publicado por B.A.> em 12:53 AM | A ressacar (2)